Giornale Roma - Pillay dedica seu Nobel da Paz aos 'sobreviventes de crimes internacionais'

Pillay dedica seu Nobel da Paz aos 'sobreviventes de crimes internacionais'
Pillay dedica seu Nobel da Paz aos 'sobreviventes de crimes internacionais' / foto: Frank BOXLER - AFP

Pillay dedica seu Nobel da Paz aos 'sobreviventes de crimes internacionais'

A recém-anunciada ganhadora do Nobel da Paz, a juíza sul-africana Navi Pillay, dedicou nesta sexta-feira (9) o seu prêmio aos "sobreviventes de crimes internacionais" em sua primeira aparição pública após o anúncio da premiação.

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"Permitam-me dedicar este prêmio a todos os sobreviventes de crimes internacionais", disse a juíza de 85 anos, falando no histórico tribunal de Nuremberg, onde os líderes nazistas foram julgados após a Segunda Guerra Mundial.

"Talvez estivesse destinado que eu estivesse nesta histórica sala de audiências (...) quando o anúncio foi feito e fui informada sobre o prêmio", disse Pillay.

A juíza, que dedicou sua carreira à defesa do direito internacional, também denunciou os ataques contra as instituições jurídicas internacionais.

"Vivemos em uma época em que o direito internacional e os direitos humanos são alvo de ataques políticos. Essa degradação é particularmente visível nos ataques contra o Tribunal Penal Internacional", ressaltou.

No mês passado, o presidente americano, Donald Trump, pediu que todos os países que integram o Tribunal Penal Internacional (TPI) abandonassem a instituição, a qual acusou de estar "fora de controle".

"Os Estados Unidos também se opõem a essa instituição fora de controle que é o Tribunal Penal Internacional", declarou Trump da tribuna da ONU. "Exorto todos os países membros do TPI a se retirarem oficial e imediatamente", acrescentou.

Nesse sentido, Pillay afirmou nesta sexta-feira: "Minha mensagem aos líderes, aos dirigentes políticos, é que (...) eles têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos e de se abster de fazer a guerra".

Sua trajetória a levou dos tribunais sul-africanos, onde defendeu ativistas contra o Apartheid, como Nelson Mandela, e conquistou direitos fundamentais para presos políticos, até o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, passando pelo TPI.

Ela presidiu a comissão encarregada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de investigar violações de direitos humanos nos territórios palestinos e em Israel.

Israel rejeitou categoricamente as conclusões da comissão, classificando-as como "distorcidas e falsas".

L.Moretti--GdR