Giornale Roma - Jair Bolsonaro buscará revanche caso seu filho assuma o poder

Jair Bolsonaro buscará revanche caso seu filho assuma o poder
Jair Bolsonaro buscará revanche caso seu filho assuma o poder / foto: Evaristo Sa - AFP/Arquivos

Jair Bolsonaro buscará revanche caso seu filho assuma o poder

Favorito no segundo turno das eleições presidenciais, o senador conservador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avisa: seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, será libertado e colocará a faixa presidencial nele se vencer o pleito contra Luiz Inácio Lula da Silva.

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A vitória do filho mais velho de Bolsonaro no primeiro turno mobiliza o campo conservador para uma revanche do líder de extrema direita, que afirma ser perseguido pela Justiça e pelo governo de Lula.

Aos 71 anos, Jair Bolsonaro (2019-2022) cumpre, desde o fim do ano passado, uma pena de 27 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota para Lula nas eleições de 2022. Ele sempre se declarou inocente.

Devido a recorrentes problemas de saúde, cumpre a pena em sua casa, em um bairro de alto padrão em Brasília, com sua esposa Michelle — eleita para o Senado — e sua filha mais nova, Laura.

Ele está proibido de se manifestar em público e de se pronunciar politicamente. Durante a campanha, quase não recebeu visitas, segundo os registros consultados pela AFP.

Mas ainda idolatrado pela direita e pela extrema direita no Brasil, Jair Bolsonaro é o grande protagonista ausente da campanha para o segundo turno de 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, declarou que o libertará e que "vai subir a rampa" do Palácio do Planalto com ele quando assumir o cargo em 5 de janeiro, dando como certa sua vitória.

No primeiro turno de domingo, o senador ficou à frente de Lula com 47% dos votos contra 45%.

O ex-presidente "precisa de liberdade para ir para os braços do povo", afirmou à AFP Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio. Disse, contudo, que o ultradireitista não é alguém "ansioso pelo poder" ou "ansioso por cargo".

- Indulto, anistia? -

Os Bolsonaro apontam como inimigo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que conduziu o julgamento do ex-presidente em 2025 e o considerou culpado de liderar uma organização criminosa armada para impedir a posse de Lula em 2023.

Os advogados de Jair Bolsonaro esperam que a corte analise um pedido para anular sua condenação, por supostos abusos e erros de Moraes.

O pedido de revisão está nas mãos de outro ministro, Kassio Nunes Marques, que pretende levá-lo ao plenário do STF depois do segundo turno, informou sua assessoria à AFP.

Mas este trâmite pode se estender para além da posse presidencial.

Paralelamente, Flávio Bolsonaro prometeu indultar o pai como primeira medida de governo.

Embora um indulto possa ser assinado "minutos depois" do início da cerimônia de posse, diversos requisitos burocráticos impediriam que ele tivesse efeito nesse mesmo dia, explicou à AFP Thiago Bottino, professor de Direito da Fundação Getulio Vargas.

A direita também defende como opção uma anistia parlamentar ao ex-presidente e a centenas de apoiadores condenados pela invasão à sede dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

Esta alternativa ganha força após as eleições de domingo, com um aumento significativo de legisladores conservadores no Congresso.

Diferentemente do indulto, uma anistia restituiria os direitos políticos de Bolsonaro, incluindo a possibilidade de ser candidato a cargos eletivos.

- "Ressentimentos" -

Flávio Bolsonaro afirma ser mais moderado que seu pai, famoso por suas declarações misóginas, homofóbicas e racistas, seu negacionismo climático e sua defesa da ditadura militar (1964-1985) no Brasil.

O sobrenome Bolsonaro lhe garante apoios da direita, mas também faz com que herde a rejeição ao pai por parte de eleitores independentes, admite Rogério Marinho, chefe da campanha bolsonarista.

Flávio "defende o legado do seu pai, mas é uma pessoa diferente (...) tem uma capacidade maior de negociação", disse Marinho à AFP.

Hélio Schwartsman, colunista do jornal Folha de S. Paulo, destaca que os segundos mandatos de quem retorna ao poder depois de tê-lo perdido podem ter tons de revanche.

Foi assim após a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos ou de Benjamin Netanyahu em Israel, com governos mais "radicais" e uma liberação de "ressentimentos acumulados", acrescenta.

Tratado com antidepressivos, Jair Bolsonaro está hoje "estável", segundo os últimos relatórios clínicos, embora sua esposa Michelle tenha dito que as eleições o deixaram "um pouquinho ansioso".

G.Galli--GdR