Giornale Roma - Cientistas alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

Cientistas alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo
Cientistas alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo / foto: CHARLY TRIBALLEAU - AFP/Arquivos

Cientistas alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

Quase 25% das partidas da Copa do Mundo de 2026, na América do Norte, podem ser disputadas em condições de forte calor, mais prováveis do que durante o torneio disputado nos Estados Unidos em 1994, devido às mudanças climáticas, alertaram cientistas nesta quinta-feira (14).

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"Nossa pesquisa demonstra que as mudanças climáticas têm um efeito real e mensurável sobre a viabilidade de organizar Copas do Mundo durante o verão no hemisfério norte", ressaltou Friederike Otto, professora de Ciência do Clima no Imperial College de Londres e cofundadora da World Weather Attribution (WWA).

O grupo de cientistas analisou as 104 partidas programadas entre 11 de junho e 19 de julho em 16 estádios dos Estados Unidos, Canadá e México.

"Os jogadores e os torcedores enfrentam um risco muito maior de calor e umidade extenuantes na Copa do Mundo de 2026 em comparação com o torneio de 1994", conclui a WWA.

Os cientistas utilizam o índice de temperatura de bulbo úmido (WBGT), que combina temperatura, umidade, radiação solar e nebulosidade, que mede a capacidade de resfriamento do corpo.

Uma temperatura aparentemente moderada pode se tornar perigosa com umidade elevada. Um WBGT de 28°C equivale a quase 38°C em clima seco ou 30°C em condições muito úmidas.

Quase 25% das partidas (26 jogos) seriam disputadas em níveis iguais ou superiores a 26°C WBGT, o que exigiria medidas adicionais de resfriamento, segundo os sindicatos de jogadores.

Além disso, cinco partidas alcançariam ou superariam 28°C WBGT, quase o dobro do registrado em 1994, um nível considerado perigoso e para o qual cientistas sugerem, inclusive, a suspensão dos jogos, afirmou Otto.

Os cientistas identificaram partidas de alto risco em estádios abertos como os de Miami, Kansas City e Nova York/Nova Jersey, onde será disputada a final em 19 de julho.

Outros estádios possuem sistema de refrigeração, o que reduz o risco dentro das arenas. Os cientistas, no entanto, alertam que os torcedores do lado de fora também estão expostos, com menor acesso à assistência médica.

C.Battaglia--GdR