Giornale Roma - Trump descarta transmissão de execução de condenado por massacre em base militar

Trump descarta transmissão de execução de condenado por massacre em base militar
Trump descarta transmissão de execução de condenado por massacre em base militar / foto: Kent NISHIMURA - AFP

Trump descarta transmissão de execução de condenado por massacre em base militar

A execução por fuzilamento do autor do ataque a uma base militar americana que deixou 13 mortos não será transmitida ao vivo, anunciou nesta quinta-feira (15) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tamanho do texto:

"Ele morrerá, como está previsto, por pelotão de fuzilamento, mas esse evento não será transmitido", disse Trump em uma publicação em sua plataforma Truth Social, ao descartar um plano do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que provocou indignação.

O cancelamento representa um revés para Hegseth, que já enfrenta críticas pela guerra prolongada e sem avanços com o Irã e por suas consequências, que prejudicam as chances do Partido Republicano nas próximas eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro.

"A execução poderá ser presenciada pessoalmente pelos familiares diretos das vítimas, se assim o desejarem", acrescentou Trump.

A decisão de transmitir ao vivo a execução de Nidal Hasan foi amplamente rejeitada dentro e fora do país e provocou indignação entre políticos democratas e republicanos dos Estados Unidos, a Igreja Católica, grupos de direitos humanos e as Nações Unidas.

O presidente americano indicou que, pessoalmente, não se opunha ao plano de transmitir a execução e afirmou que "poderia ter sido um forte elemento de dissuasão para que o mundo visse como os Estados Unidos tratam terroristas e ESCÓRIA como Hasan".

No entanto, "muitas pessoas muito boas e bem-intencionadas prefeririam não vê-lo morrer", disse Trump.

A execução de Hasan, marcada para 3 de dezembro em Fort Hood, no Texas, onde ele matou 13 pessoas em 2009, será a primeira realizada por um pelotão de fuzilamento militar americano desde 1945.

- Equivalente a "tortura" -

Hegseth havia dito na semana passada que o governo ia garantir "que as pessoas possam ver, que seja público". "As pessoas precisam entender que (...) há consequências sérias para esse tipo de coisa", afirmou.

As Nações Unidas disseram que retransmitir a execução equivaleria a "tortura", enquanto o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos a classificou como uma "promoção bárbara de uma cultura de morte".

O vice-presidente JD Vance, que recentemente publicou um livro sobre sua fé católica, disse que não assistiria à execução caso o plano avançasse.

Uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos, divulgada nesta quinta-feira, revelou que oito em cada dez americanos se opõem à transmissão ao vivo da execução.

Parlamentares dos dois principais partidos dos Estados Unidos haviam se manifestado contra, incluindo o líder republicano da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, que disse que isso poderia se tornar uma "ferramenta de recrutamento para futuros terroristas".

Dezenas de oficiais aposentados das Forças Armadas dos Estados Unidos também alertaram, em uma carta aberta, contra a transmissão da execução.

Uma transmissão ao vivo da execução "manchará a honra das Forças Armadas que a realizam e de uma nação que a permite" e "garantirá que Hasan se torne mártir por atacar e matar seus próprios companheiros de farda", disseram os oficiais, entre eles mais de 40 generais e almirantes.

A última execução militar nos Estados Unidos foi realizada em 1961, quando John Bennett foi enforcado por estupro e tentativa de assassinato.

O Centro de Informações sobre a Pena de Morte aponta que 135 militares foram executados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1916.

Segundo a organização de direitos humanos Anistia Internacional, sabe-se que ao menos 17 execuções públicas foram realizadas em 2025: seis no Afeganistão e 11 no Irã.

Doze das 13 pessoas que Hasan matou e 30 das que feriu eram soldados. Ele levou um tiro de uma policial civil que respondeu ao ataque e está paralisado da cintura para baixo. Hasan foi condenado à morte por um júri militar em 2013.

Hasan afirmou que se opunha às ocupações militares americanas no Iraque e no Afeganistão, e que havia conversado online com uma suposta figura da Al-Qaeda, o clérigo radical Anwar al-Awlaki, cidadão americano posteriormente morto em um ataque de drone dos Estados Unidos no Iêmen.

G.Pozzi--GdR