Giornale Roma - "Ainda estou com a bala aqui dentro", relata imigrante detido pelo ICE nos EUA

"Ainda estou com a bala aqui dentro", relata imigrante detido pelo ICE nos EUA
"Ainda estou com a bala aqui dentro", relata imigrante detido pelo ICE nos EUA / foto: RONALDO SCHEMIDT - AFP

"Ainda estou com a bala aqui dentro", relata imigrante detido pelo ICE nos EUA

O venezuelano Wilber Garcés percorria as ruas de Austin, no Texas, para fazer uma entrega. Trabalhava como entregador usando seu próprio veículo. No caminho, conta ele, um agente de imigração dos Estados Unidos bateu em seu carro e atirou contra ele. Agora, está detido e ainda tem a bala alojada no corpo.

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Garcés, de 28 anos, foi baleado no torso no domingo (20) por um integrante do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), em um novo incidente que coloca em foco as operações migratórias promovidas pelo presidente americano Donald Trump.

O homem foi levado inicialmente a um hospital e depois transferido para um centro de detenção em Pearsall, a cerca de 200 km de Austin. Em contato por telefone com a imprensa, Garcés denunciou que ainda tem o projétil no corpo.

"Estou com muita dor porque o tiro fraturou minha clavícula e, no hospital para onde me levaram, não conseguiram retirar a bala porque ela está perto da medula espinhal (...) Estou meio mal, ainda estou com a bala aqui dentro", contou durante uma entrevista coletiva, da qual sua esposa, Elizdar, também participou.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pelo ICE, informou na madrugada de segunda-feira que Garcés estava em condição estável e "sob custódia federal enquanto aguarda sua expulsão". Acrescentou que ele havia "entrado ilegalmente no país" durante o governo de Joe Biden (2021-2025).

Mas a advogada de Garcés, Kate Lincoln-Goldfinch, afirmou que seu cliente entrou legalmente nos Estados Unidos em 2024 por meio do programa CBP One. Ele estava no país sob liberdade condicional, solicitava asilo e tinha uma autorização de trabalho válida.

A advogada explicou que a ordem de deportação foi emitida depois que Garcés não compareceu a uma audiência de imigração porque a notificação foi enviada para um endereço onde ele já não morava.

Lincoln-Goldfinch disse que apresentará um pedido de medida cautelar para obter a libertação de seu cliente e garantir que ele receba atendimento médico.

- O disparo -

"Eu estava fazendo uma entrega pelo aplicativo DoorDash quando uma caminhonete parou ao meu lado. Não ligou as luzes nem nada, simplesmente tentou bater no meu carro", relatou Garcés.

Em seguida, segundo ele, um veículo preto bloqueou seu caminho. Um agente de imigração desceu e pediu seus documentos. Garcés disse que pediu para estacionar, a fim de não abandonar o carro no meio da avenida, mas que os agentes não deixaram.

"Fiz um retorno e foi aí que ele começou a me perseguir, achando que eu estava tentando fugir, mas eu estava procurando um lugar seguro para deixar meu carro. Então ele bateu no meu carro duas vezes e atirou em mim", acrescentou. "Senti um [tiro], uma vez (...) Mas não sei quantos foram, na verdade", detalhou.

Román Palomares, presidente da Liga dos Cidadãos Latino-Americanos Unidos, pediu uma investigação independente, alegando que o DHS havia "perdido a credibilidade dos americanos".

- O atendimento médico -

Garcés contou que uma ambulância chegou depois que ele foi baleado e que não conseguia se mexer. "Estava praticamente desmaiado. Nunca saí do veículo", afirmou.

De acordo com ele, no hospital disseram inicialmente que seriam feitos exames para uma cirurgia. Mas "depois veio um médico e disse que não, porque estavam com pressa para me dar alta e me levar" a um centro de detenção.

"Eu disse ao médico: como você vai deixar a bala aí se ainda está doendo? (...) Não recebi atendimento médico adequado", declarou. Garcés afirmou que somente de madrugada uma enfermeira lhe deu um analgésico e que depois foi levado para uma cela sem camas.

- "Violentos" -

"Não há absolutamente nenhuma justificativa para terem atirado nele", afirmou a advogada. "Exigimos que o ICE interrompa as abordagens de trânsito. Os agentes do ICE estão excessivamente armados, ganhando muito, mal treinados e violentos", acrescentou.

Nesta segunda-feira, funcionários apagaram várias mensagens contra a polícia migratória escritas em pilares de concreto perto do local onde ocorreu o disparo.

Trump chegou à Casa Branca com a promessa de expulsar milhões de imigrantes em situação irregular. Segundo dados do DHS, quase 51 mil imigrantes em situação irregular foram detidos nos Estados Unidos em agosto.

O ICE tem sido alvo de protestos e críticas em diferentes partes do país por seus procedimentos durante operações migratórias, incluindo o uso de armas de fogo contra cidadãos americanos.

F.Gentile--GdR