Giornale Roma - Delegação do Irã deixa local de negociações após ameaça de Trump

Delegação do Irã deixa local de negociações após ameaça de Trump
Delegação do Irã deixa local de negociações após ameaça de Trump / foto: URS FLUEELER - POOL/AFP

Delegação do Irã deixa local de negociações após ameaça de Trump

A delegação do Irã abandonou neste domingo o local onde negociava com os Estados Unidos o fim da guerra no Oriente Médio, informou a agência estatal iraniana Irna, após o presidente Donald Trump ameçar a república islâmica com novos ataques.

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Segundo a agência, as conversas, mediadas por Paquistão e Catar, "entraram em uma fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção, devido a uma mensagem ofensiva publicada pelo presidente dos Estados Unidos".

Uma fonte com conhecimento das conversas afirmou à AFP que "a delegação iraniana permanece comprometida com as negociações e não comunicou aos mediadores nenhuma intenção de se retirar delas".

Em sua plataforma, Truth Social, Trump pediu que Teerã impeça que seus alidos no Líbano "causem problemas", e ameçou retomar os ataques contra o Irã caso isso não aconteça.

O Irã aconselhou os Estados Unidos a "medir suas palavras", uma amostra da tensão em torno do começo das negociações que buscam concluir na Suíça um memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio.

A troca de advertências ocorreu logo após o início das negociações entre representantes americanos e iranianos em um hotel nos Alpes suíços. A delegação dos Estados Unidos é liderada pelo vice-presidente do país, JD Vance, e a iraniana, pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf.

Os participantes esperam que as discussões levem, em um prazo prorrogável de 60 dias, a um acordo final que encerre a guerra no Oriente Médio, uma hostilidade que já deixou milhares de mortos e afetou a economia mundial.

O vice-presidente americano descreveu o encontro como histórico e expressou esperança de "virar a página e transformar" a relação de seu país com o povo iraniano.

- Líbano -

As negociações começaram em meio a confrontos no Líbano entre Israel e o movimento islamita pró-Irã Hezbollah, apesar de o memorando de entendimento prever o fim das hostilidades em todas as frentes. Em retaliação, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz.

Trinta pessoas morreram ontem no leste e no sul do território libanês. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, advertiu que não será possível selar nenhum acordo com Washington se as hostilidades não cessarem no Líbano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou neste domingo que seu exército permanecerá no sul do Líbano pelo "tempo que for necessário", enquanto o chefe do Hezbollah, Naim Qasem, rejeitou a criação de uma zona de segurança israelense no sul libanês.

Mais otimista, o vice-presidente americano disse hoje que havia observado "progressos consideráveis" nos últimos dias "para garantir que o cessar-fogo seja mantido no Líbano".

Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, as operações israelenses mataram 4.106 pessoas desde 2 de março. No mesmo período, o Exército israelense reportou a morte de 36 militares.

Em um sinal de distensão, Israel anunciou na noite deste domingo que vai levantar a partir de amanhã as restrições a aglomerações impostas no norte do país, perto da fronteira com o Líbano.

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P.Vincenze--GdR