Giornale Roma - Ministro israelense causa indignação com vídeo de ativistas da flotilha de mãos atadas

Ministro israelense causa indignação com vídeo de ativistas da flotilha de mãos atadas
Ministro israelense causa indignação com vídeo de ativistas da flotilha de mãos atadas / foto: Nir Kafri - AFP

Ministro israelense causa indignação com vídeo de ativistas da flotilha de mãos atadas

O ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, publicou, nesta quarta-feira (20), um vídeo que mostra ativistas detidos de uma flotilha com destino a Gaza ajoelhados, de mãos atadas e com a testa no chão, o que desencadeou uma onda de condenações internacionais.

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O vídeo, compartilhado no X pelo ministro, foi divulgado depois que as forças israelenses interceptaram os barcos da flotilha no mar e começaram a deter centenas de ativistas estrangeiros no porto de Ashdod, no sul.

O vídeo gerou condenação internacional e também dentro de Israel, onde o próprio Ben Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar.

"Israel tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza", declarou Netanyahu em comunicado.

"No entanto, a forma como o ministro Ben Gvir tratou os ativistas da flotilha não está em linha com os valores e as leis de Israel", acrescentou. Além disso, Netanyahu pediu que os ativistas sejam expulsos "o quanto antes".

Sob a mensagem "Bem-vindos a Israel", as imagens mostram dezenas de ativistas no convés de um navio militar, com o hino do país tocando ao fundo, e também já detidos em Israel, onde o ministro agita a bandeira nacional.

Mike Huckabee, embaixador em Israel dos Estados Unidos, principal aliado do país, qualificou os atos do ministro israelense como "desprezíveis".

Entre as reações de espanto, o chanceler espanhol José Manuel Albares exigiu um "pedido de desculpas" pelo tratamento "monstruoso, desumano e indigno" dado a esses ativistas, entre eles cerca de 40 espanhóis. O ministro anunciou, em Berlim, que convocou a representante diplomática de Israel na Espanha.

A França também convocou o embaixador israelense pelos "atos inadmissíveis" do ministro, ao mesmo tempo em que expressou sua "indignação" em uma mensagem do chanceler Jean-Noël Barrot no X.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o chanceler Antonio Tajani também denunciaram o tratamento "inadmissível" dado aos ativistas, entre eles vários italianos "submetidos a um tratamento que atenta contra a dignidade humana", declararam em comunicado conjunto.

A Bélgica convocou a embaixadora israelense e a Alemanha qualificou o tratamento dado aos ativistas como "totalmente inaceitável".

A comissária europeia de Igualdade, Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, afirmou que "ninguém deveria ser punido por defender a humanidade" e argumentou que os ativistas "não eram criminosos condenados".

A Turquia, por sua vez, denunciou a "mentalidade bárbara" do governo israelense e outros dirigentes multiplicaram seus apelos para que os ativistas sejam expulsos o quanto antes de Israel.

- "Abuso e humilhação" -

Trata-se da terceira tentativa em um ano do grupo de romper o bloqueio israelense imposto a Gaza, devastada pela guerra e em grave escassez desde o início do conflito desencadeado em outubro de 2023 por um ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas contra Israel.

De madrugada, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia anunciado que os 430 integrantes da flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 barcos e interceptada na segunda-feira na costa do Chipre, estavam sendo levados para Israel.

O chanceler israelense criticou o vídeo e acusou Ben Gvir de causar "dano conscientemente ao nosso Estado com esta exibição vergonhosa", afirmando, ainda, que "não é a primeira vez".

Para o movimento islamista palestino Hamas, que governa Gaza, as imagens são uma amostra da "depravação moral" de Israel.

A ONG Adalah, que representa os ativistas, denunciou, após a exibição do vídeo, a "política criminosa" de Israel em relação à entrega de ajuda em Gaza.

"Israel está aplicando uma política criminosa de abuso e humilhação contra ativistas que buscam enfrentar os crimes contínuos de Israel contra o povo palestino", disse em um comunicado a Adalah, cujos advogados foram ao centro de detenção para se reunir com os detidos.

Além disso, a organização denunciou que os ativistas "foram sequestrados à força em águas internacionais e levados para território israelense completamente contra sua vontade".

O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou a flotilha de fazer propaganda para o Hamas.

G.Galli--GdR