Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano que inclui Hezbollah
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de dez dias que começa nesta quinta-feira (16) e incluirá o movimento xiita libanês Hezbollah, que é apoiado pelo Irã.
Trump também afirmou que está tentando organizar a primeira reunião da história entre os líderes dos dois países.
De acordo com o líder americano, a trégua chega após conversas "excelentes" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, dois dias depois que Israel e Líbano iniciaram negociações de paz em Washington.
"Estes dois líderes acordaram que, para alcançar a PAZ entre os seus países, iniciarão formalmente um CESSAR-FOGO de 10 dias às 5h00 P.M.", horário de Washington (18h em Brasília), escreveu Trump em sua rede Truth Social.
"Ambas as partes querem a PAZ e creio que ela será concretizada rapidamente", acrescentou, ao indicar que instruiu o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe do Estado-Maior Conjunto do Exército, Dan Caine, a trabalharem com os dois países "para alcançar uma paz duradoura".
"Foi uma honra para mim ter solucionado nove guerras em todo o mundo, e esta será a décima, assim que, MÃOS À OBRA!", exclamou em sua rede social o mandatário, que lançou em 28 de fevereiro a ofensiva contra o Irã em colaboração com Israel.
Posteriormente, ao deixar a Casa Branca para uma viagem a Las Vegas, Trump falou com repórteres sobre o cessar-fogo, e confirmou que a trégua inclui o Hezbollah.
O Departamento de Estado anunciou depois que o Líbano havia se comprometido a tomar "medidas concretas" para prevenir qualquer ataque de Hezbollah contra Israel como parte do cessar-fogo.
Ibrahim Moussaoui, deputado do braço político do movimento xiita, assegurou à AFP que a organização respeitaria o cessar-fogo "com cautela [...] sempre que se trate de uma interrupção total das hostilidades contra nós e que Israel não o utilize para realizar assassinatos" de integrantes do Hezbollah.
Quanto à esperada reunião histórica entre Aoun e Netanyahu, Trump disse que ela acontecerá na Casa Branca, "nos próximos quatro ou cinco dias".
"Esta será a primeira vez que se reunirão em 44 anos, o que não é precisamente um exemplo de boa vizinhança, considerando que são vizinhos", brincou, ao se referir ao encontro de 1982 entre líderes israelenses e o presidente eleito do Líbano, Bachir Gemayel, que foi assassinado antes de assumir o cargo.
Tecnicamente, Israel e Líbano estão em guerra há décadas.
Na terça-feira foram realizadas conversas diretas entre os embaixadores dos dois países em Washington, as primeiras deste tipo desde 1993.
- Um milhão de deslocados -
No início de março, o Líbano foi arrastado para o conflito bélico no Oriente Médio pelo Hezbollah, que lançou foguetes contra Israel em apoio ao Irã, seu aliado, que havia sido atacado anteriormente por Israel e Estados Unidos.
Os ataques israelenses contra o Líbano causaram a morte de mais de 2 mil pessoas e provocaram o deslocamento de mais de um milhão. Além disso, as forças terrestres israelenses invadiram o sul do país.
Horas antes da entrada em vigor do cessar-fogo, o Ministério da Saúde libanês informou que sete pessoas morreram e 33 ficaram feridas em um ataque aéreo israelense no sul do país.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a autoria de vários ataques contra posições militares no norte do território israelense.
Em Israel, Netanyahu explicou que a trégua representava uma oportunidade para concluir um acordo de paz "histórico" com Beirute.
No entanto, assegurou que, durante a suspensão das hostilidades, o Exército israelense manteria sua presença no sul do Líbano, dentro de uma faixa fronteiriça de dez quilômetros de largura.
O Exército libanês pediu aos deslocados do sul do país pela ofensiva israelense que não retornem a suas casas apesar da suspensão das hostilidades.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, comemorou o acordo de cessar-fogo, assim como as presidências francesa, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.
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V.Morandi--GdR