Giornale Roma - Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, aponta FMI

Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, aponta FMI
Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, aponta FMI / foto: Kent Nishimura - AFP

Guerra no Irã pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar, aponta FMI

O conflito no Oriente Médio pode prejudicar a economia mundial e lançar cerca de 45 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, um risco que poderia se agravar ainda mais, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira (9).

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A diretora-geral do organismo, Kristalina Georgieva, fez esse alerta em seu tradicional discurso anterior às reuniões de primavera (no hemisfério norte) do FMI e do Banco Mundial (BM), que serão realizadas em Washington de 13 a 18 de abril.

O FMI publicará na próxima terça-feira uma versão atualizada de seu relatório sobre a situação da economia mundial, que levará em conta os efeitos do conflito na economia global.

Quando “deveríamos ter avançado rumo a uma revisão em alta do crescimento mundial”, a guerra faz com que agora “até mesmo o nosso melhor cenário contemple uma revisão em baixa do crescimento”, destacou Georgieva.

Devido à incerteza, “ele incluirá uma série de cenários que vão desde uma normalização relativamente rápida” da situação geopolítica até um em que “os preços do petróleo e do gás se mantenham elevados por muito mais tempo e em que as consequências se consolidem”.

A chefe do FMI acrescentou que a instituição prevê uma demanda adicional de ajuda por parte dos países-membros de “20 a 50 bilhões de dólares [R$ 101,4 a 253,5 bilhões] , na extremidade inferior se o cessar-fogo se mantiver”.

“Teria sido pior sem políticas sólidas por parte da maioria das economias emergentes [...] e contamos com os recursos necessários para fazer frente a esse choque”, assegurou.

No entanto, o forte aumento dos preços da energia e as interrupções no fornecimento de petróleo, gás natural e fertilizantes geram o risco de mergulhar “pelo menos 45 milhões de pessoas” em insegurança alimentar.

Isso elevaria o total “de pessoas que passam fome para mais de 360 milhões”, advertiu Georgieva. “Mesmo no melhor dos casos, não haverá um retorno claro e nítido” à situação anterior ao início das hostilidades, acrescentou.

– “Esperar e avaliar” –

Georgieva também apontou que esse novo choque energético poderia "colocar em dúvida a ancoragem" das expectativas de inflação do mercado e desencadear um novo e custoso ciclo de inflação para as economias globais.

"Danos à infraestrutura, interrupções na cadeia de suprimentos, perda de confiança e outros fatores são responsáveis" por essa situação, e "o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura".

No entanto, os efeitos não são os mesmos em todas as regiões do planeta. Países importadores de petróleo e países de baixa renda — que possuem margem fiscal mais limitada — estarão entre os mais afetados.

"Considere as nações insulares do Pacífico, no final da cadeia de suprimentos, sem saber se receberão a energia de que precisam devido a essas graves interrupções", acrescentou a diretora-geral do FMI.

Em um relatório divulgado na quarta-feira, o Banco Mundial observou que os países do Oriente Médio pagaram "um custo econômico imediato e severo" devido à guerra.

Está prevista uma queda de 0,6 ponto percentual no crescimento da região em comparação com as projeções anteriores à guerra, chegando a 1,8% em 2026, acrescenta o BM.

Diante dessa situação, os governos "podem ajudar de diversas maneiras", afirmou Georgieva, mas devem evitar medidas como o controle de exportações ou de preços.

No curto prazo, "é aconselhável aguardar e avaliar" a evolução da situação geopolítica; contudo, caso as expectativas de inflação se alterem, "os bancos centrais devem agir com firmeza, elevando as taxas de juros", declarou.

Quanto às políticas orçamentárias, elas podem integrar “um apoio à demanda muito calibrado”, mas “se e somente se os Estados dispuserem das margens necessárias”, insistiu Georgieva.

P.Caruso--GdR