Extrema direita avança nas eleições municipais na França; esquerda lidera em Paris
A extrema direita liderou o primeiro turno das eleições municipais em diversas cidades francesas neste domingo (15), enquanto a esquerda resiste em Paris, em uma votação considerada um teste do clima político um ano antes das eleições presidenciais.
Embora estas eleições costumem seguir lógicas locais, com chapas não partidárias na maioria das 35.000 localidades francesas, a votação permite sentir o peso dos partidos antes das presidenciais de 2027.
O eurodeputado de extrema direita Jordan Bardella lidera as intenções de voto para o sucessor do presidente de centro-direita Emmanuel Macron, que não pode se reeleger. A líder da extrema direita, Marine Le Pen, também não pode competir por estar judicialmente inabilitada.
"A mudança não espera até 2027. Ela começa neste domingo", declarou Bardella neste domingo, após instar os eleitores a apoiarem no segundo turno "prefeitos profundamente patriotas que serão a voz da mudança e da recuperação".
O seu partido Reagrupamento Nacional (RN) e os seus aliados lideraram a votação em várias cidades do sul da França, como Nice, Toulon, Nîmes e Carcassonne, embora tenham de esperar o segundo turno, em 22 de março, para saber se sairão vitoriosos.
Os prefeitos de extrema direita de Perpignan e Fréjus, no sul, assim como de Hénin-Beaumont, um reduto do RN no norte da França, já venceram no primeiro turno. "É uma grande vitória para o nosso movimento!", exclamou Le Pen nas redes sociais.
Um bom desempenho reforçaria a posição do RN para 2027. As eleições legislativas antecipadas de 2024, que desencadearam uma profunda crise política na França, já o consolidaram como um dos três principais blocos políticos, ao lado da esquerda e da centro-direita.
- A esquerda resiste -
Paris, nas mãos da esquerda desde 2001, geralmente escapa ao partido de Le Pen em todas as eleições.
Neste domingo, o deputado socialista Emmanuel Grégoire liderou o primeiro turno das eleições municipais em Paris com cerca de 36,5% dos votos, seguido pela ex-ministra da Cultura, a conservadora Rachida Dati (25%), segundo estimativas após o fechamento das urnas.
"O povo de Paris nos colocou confortavelmente na liderança neste primeiro turno", comemorou Grégoire, ex-braço direito da atual prefeita, a socialista Anne Hidalgo, que optou por não concorrer a um terceiro mandato.
No entanto, segundo estimativas iniciais, pelo menos outros dois candidatos também entrariam na disputa: Sophia Chikirou (esquerda radical) e Pierre-Yves Bournazel (centro-direita). Sarah Knafo, do partido de extrema direita Reconquista, estava prestes a conseguir uma vaga.
A situação em Paris não é única. Quatro candidatos podem se qualificar em Marselha, a segunda maior cidade da França, com o prefeito socialista em fim de mandato, Benoît Payan, e o candidato de extrema direita na liderança.
Os ambientalistas também lutam para manter as prefeituras que conquistaram em 2020 durante a "onda verde".
Neste contexto de fragmentação política, as alianças entre partidos são vistas como essenciais para a vitória. Os partidos têm até terça-feira para decidir se mantêm suas candidaturas, aderem a outra lista ou se retiram.
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G.Fontana--GdR