Mbappé mostra solidariedade a Ceuta e diz que não queria priorizar sofrimentos
O atacante francês Kylian Mbappé, do Real Madrid, expressou nesta quarta-feira (16) "toda a solidariedade a Ceuta", mas afirmou que sua decisão de não vestir uma camisa de apoio à cidade autônoma se deu para não priorizar sofrimentos.
"A primeira coisa que quero dizer é que presto total solidariedade a Ceuta e a todas as vítimas, porque, antes de ser jogador, sou um ser humano", afirmou Mbappé em declarações ao jornal AS.
O astro francês, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté protagonizaram polêmica após vestirem parcialmente uma camisa em apoio a Ceuta antes da vitória do Real Madrid por 3 a 2 sobre o Elche, na terça-feira, pelo Campeonato Espanhol.
Os três deixaram a camisa enrolada na altura do peito, impedindo a leitura completa da frase "Somos todos 'caballas'" (como são chamados os habitantes de Ceuta).
Ceuta, enclave espanhol no norte da África, registrou nos dias 30 e 31 de julho uma entrada maciça de dezenas de milhares de imigrantes procedentes do Marrocos.
Nesse deslocamento em massa, 80 pessoas morreram, segundo uma comissão espanhola de especialistas forenses.
A maioria retornou ao país africano, mas milhares permaneceram em Ceuta, onde a situação vem se deteriorando, dando lugar a tensões e a manifestações quase diárias da população local, que reivindica um retorno à normalidade.
"Eu também queria ter um gesto e um pensamento para todos os imigrantes que perderam a vida e que também estão em condições difíceis", disse Mbappé ao AS.
- "Posição difícil" -
"Era uma posição nada fácil, difícil, porque no final as pessoas podem pensar que estou contra o povo de Ceuta, mas não, absolutamente não. Não tenho nada contra eles e os apoio 100%", acrescentou.
"Mas eu também queria dedicar um pensamento a todas as pessoas que sofrem, porque, no fim das contas, sou humano e não quero colocar prioridade no sofrimento", explicou Mbappé.
"Pretendo transmitir uma mensagem de positividade e de paz, e espero que tudo isso se resolva rapidamente", concluiu.
Antes, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, havia criticado a atitude dos três jogadores.
"São atos institucionais, são atos de clube, não são atos pessoais em que você tenha que manifestar a sua opinião pessoal", disse Tebas a vários meios de comunicação, ao ser perguntado sobre o episódio.
Tebas confirmou que a iniciativa desta camiseta, lançada pela associação de empresários da região de Valência, foi autorizada pela competição, ao mesmo tempo em que negou que fosse um tema "de reivindicação política".
O dirigente recordou que a LaLiga autoriza o ato, mas são os clubes que decidem o que fazer.
A partida de terça-feira foi a terceira na qual esta iniciativa foi colocada em prática, depois do jogo entre Levante e Barcelona, no fim de semana, em que apenas o Levante entrou em campo com a camisa, e do confronto entre Villarreal e Betis, na segunda-feira, em que ambos os times a usaram.
P.Sartori--GdR