Giornale Roma - Das redes sociais ao voto, os jovens influenciadores na vanguarda conservadora no Brasil

Das redes sociais ao voto, os jovens influenciadores na vanguarda conservadora no Brasil
Das redes sociais ao voto, os jovens influenciadores na vanguarda conservadora no Brasil / foto: Miguel SCHINCARIOL - AFP

Das redes sociais ao voto, os jovens influenciadores na vanguarda conservadora no Brasil

Ela se define como "a maior inimiga das feministas de SP" e agradece a Deus por ter salvado o Brasil do "canibalismo" por meio da colonização: Eduarda Campopiano (PL-SP), um fenômeno das redes sociais de 23 anos, foi eleita deputada estadual com cerca de dois milhões de votos.

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Ela está entre os jovens influenciadores com discurso radical que obtiveram um desempenho impressionante nas eleições de 4 de outubro e que compõem o novo rosto do movimento ultraconservador no Brasil.

Em um país de 214 milhões de habitantes, sua capacidade de incendiar as redes é um trunfo para o candidato Flávio Bolsonaro (PL), a quem oferecem apoio incondicional.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é o favorito no segundo turno de 25 de outubro, frente ao atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Minha missão é garantir a eleição de Flávio Bolsonaro", disse Campopiano a seus três milhões de seguidores no Instagram.

Católica praticante, usando óculos de armação larga, esta deputada eleita pelo estado de São Paulo chamou a atenção e indignou os progressistas ao afirmar que não deve "nada ao feminismo" e questionar o conceito de feminicídio.

"A gente precisa fortalecer as famílias tradicionais", afirmou Campopiano à AFP durante um ato pró-Flávio Bolsonaro em São Paulo.

- Novas "lideranças"-

Para Mércia Alves, pesquisadora associada do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), "as redes sociais deixaram de ser apenas instrumentos utilizados durante as campanhas e passaram a ser espaços onde lideranças são formadas".

"O Brasil é um dos países que mais tem influenciadores no mundo" e a direita "tomou conta disso e soube trazer a pauta da política" para estes atores, considerou Gabriela Mayall, socióloga da Universidade Federal Fluminense.

Durante a campanha legislativa, Eduarda Campopiano formou uma dupla bem-sucedida com Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, eleito deputado federal com três milhões de votos pelo estado de São Paulo.

Eles apareceram juntos em um vídeo em que apontam para outro de seus alvos preferidos: as pessoas trans.

Usando uma peruca loira, o jovem ironiza o fato de que mulheres trans tenham direito a usar banheiros públicos femininos e são beneficiadas por cotas na universidade. "Eu não aguento mais essa palhaçada, homem é homem e mulher é mulher!", exclama Pavanato enquanto arranca a peruca.

Vários influenciadores desta corrente foram acusados de transfobia e até condenados, especialmente por ataques dirigidos contra a deputada trans Erika Hilton, figura da esquerda e também estrela das redes sociais.

- Fenômeno identitário -

Flávio Bolsonaro se apresenta como mais "moderado" que seu pai, que costuma fazer comentários racistas, misóginos ou homofóbicos.

Embora critique uma suposta "ideologia de gênero", ele não está necessariamente na mesma linha que todos os influenciadores de seu campo.

O candidato à Presidência se comprometeu, por exemplo, a reforçar o combate ao feminicídio, um flagelo no país, com mais de quatro casos por dia em 2025, segundo dados oficiais.

Mas ele se beneficia do apoio destes jovens eleitos, que seguem os passos (e o tom) do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos.

Reeleito de forma triunfal, Ferreira atua como pioneiro: tem dezenas de milhões de seguidores nas redes sociais, e se impôs como um ator de peso no debate público.

"A gente tem um fenômeno hoje que é identitário, de uma identidade de direita e uma de esquerda. A esquerda identitária vai trazer pautas sobre LGBTQIA+, o que é rejeitado pela direita identitária", ressaltou Gabriela Mayall.

Próximo a Nikolas Ferreira, Pavanato tem outra leitura.

"Durante muito tempo a classe política brasileira foi tímida (...) tinha medo de se expressar. (...) nós vamos dizer o que pensamos independente da pressão política", disse o parlamentar à AFP.

Na noite do primeiro turno das presidenciais e após ser eleito deputado, Pavanato lançou um alerta à esquerda.

"O desespero de vocês me deixa muito feliz (...) Nós somos uma ameaça para vocês. Vocês são a minoria, e vamos colocar vocês no devido lugar".

M.Marini--GdR