Giornale Roma - Premier francês nega que polícia tenha recebido ordens para confrontar estudantes

Premier francês nega que polícia tenha recebido ordens para confrontar estudantes
Premier francês nega que polícia tenha recebido ordens para confrontar estudantes / foto: Kenzo TRIBOUILLARD - AFP

Premier francês nega que polícia tenha recebido ordens para confrontar estudantes

As forças de segurança "não receberam instruções para confrontar os estudantes", afirmou nesta quarta-feira (7) o governo da França, que suspendeu o uso de granadas de efeito moral, após denúncias de violência envolvendo a polícia.

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Centenas de estudantes, policiais e professores ficaram feridos desde o início de um movimento por melhores condições nas escolas de ensino médio. Um adolescente chegou a perder uma das mãos após ser atingido por uma granada de efeito moral, um episódio que causou comoção no país.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão do uso desse tipo de artefato em protestos de estudantes do ensino médio até que os incidentes sejam esclarecidos, e o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ressaltou que as forças de segurança "não receberam instruções para confrontar os estudantes".

Representantes de organizações estudantis pediram hoje uma reunião com o premier e denunciaram a falta de "medidas concretas" por parte do governo.

O Parlamento francês começou a analisar o polêmico projeto orçamentário de 2027, no qual o governo propõe um ajuste de 60 bilhões de dólares para limitar o déficit elevado e a dívida pública recorde. Mas sua aprovação se anuncia complicada, a meses das eleições presidenciais de 2027.

Segundo uma fonte sindical policial, um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos ao tocar em uma granada de dispersão lançada pela polícia em Lens, norte da França. Outro estudante, de 14 anos, perdeu vários dentes na explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo a curtíssima distância, no noroeste de Paris.

- Mutilados -

"Foi preciso que vários jovens ficassem mutilados para o resto da vida para que Nuñez desistisse de usar granadas contra estudantes do ensino médio", criticou Manuel Bompard, coordenador nacional do partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI).

Por outro lado, a ultradireitista Marine Le Pen, favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2027, acusou Macron de ficar "sempre do lado daqueles que atacam a polícia".

Outro caso de grande repercussão, que ocorreu na cidade de Belfort, foi o de um adolescente de 17 anos que acusou um policial de tentar afogá-lo durante uma tentativa de prisão perto de um riacho, após tê-lo identificado como o autor de lançamentos de projéteis e incêndios em caçambas de lixo. A promotoria de Vesoul informou que abriu uma investigação por tentativa de homicídio.

Embora majoritariamente pacíficos, os protestos também resultaram em violência. O governo relatou que 215 estudantes, 715 policiais e 85 membros do corpo docente ficaram feridos. Mais de 6.500 pessoas, a maioria menores de idade, foram detidas.

A polícia abriu 18 investigações internas sobre denúncias de má conduta desde o início dos protestos, disse Núñez. Sindicatos da área da educação convocaram uma greve e novas manifestações para esta quinta-feira.

- "Aterrorizados" -

Desde setembro, estudantes com idades entre 15 e 18 anos bloquearam centenas de escolas para denunciar a falta de professores e as cargas horárias excessivas, assim como salas de aula deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas.

Advogados que representam adolescentes detidos afirmaram que seus clientes sofreram violência física e insultos.

Ainoha Pascual, advogada de três menores em Paris, disse que eles foram "aterrorizados". "A imensa maioria chega ferida sob custódia", devido a golpes de cassetete ou por terem sido arrastados pelo chão, acrescentou.

Prisca Ancion, do Coletivo pela Ação Judicial, disse à AFP que todos os estudantes detidos relataram ter sofrido insultos e agressão física.

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R.Santoro--GdR