México e EUA iniciam negociações para revisar T-MEC
México e Estados Unidos iniciaram, nesta quarta-feira (27), as negociações formais para revisar o tratado de livre comércio da América do Norte (T-MEC), em meio às pressões tarifárias do governo de Donald Trump.
O T-MEC, do qual também participa o Canadá, deve ser revisado a cada seis anos. O acordo é vital para a economia mexicana, que tem os Estados Unidos como principal parceiro comercial e destino de mais de 80% de suas exportações.
A primeira rodada de negociações se estenderá até sexta-feira (29) e a delegação mexicana será liderada pelo secretário da Economia, Marcelo Ebrard.
A Secretaria da Economia do México informou em comunicado que as partes "definiram os próximos passos para aprofundar as conversas, com vistas a identificar resultados concretos em benefício da região".
"México e Estados Unidos reafirmaram seu compromisso de continuar fortalecendo a cooperação bilateral em favor de uma América do Norte mais integrada, dinâmica e robusta", acrescentou o texto.
Questionada sobre o processo durante sua coletiva de imprensa matinal, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, expressou otimismo quanto à possibilidade de um acordo.
"Será um diálogo muito bom", disse ela ao explicar que, na noite anterior, Ebrard já havia tido uma reunião inicial com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
Outras rodadas de negociações ocorrerão em junho e julho, respectivamente em Washington e na Cidade do México.
O acordo entre os três países será revisado este ano pela primeira vez desde que entrou em vigor em 2020.
- Tensões e ameaças -
Essas negociações ocorrem em meio a tensões de segurança com os Estados Unidos e quando Trump ameaçou se retirar do acordo por afirmar que ele não beneficia a economia americana.
Por um lado, a Justiça dos EUA solicitou a extradição de dez políticos do partido governista no final de abril, incluindo Rubén Rocha Moya, ex-governador do estado de Sinaloa, a quem acusam de ter vínculos com a organização criminosa de Joaquín "El Chapo" Guzmán.
O pedido está sendo analisado pela Procuradoria-Geral do México, enquanto Sheinbaum exige provas conclusivas das autoridades americanas.
Uma segunda frente envolve as denúncias do México a Washington sobre a participação de agentes da CIA em operações antidrogas com autoridades no estado de Chihuahua, no norte do país, um caso que veio à tona após um acidente em 19 de abril, no qual dois deles morreram.
Segundo a imprensa americana, em fevereiro Trump teria dito à sua equipe que estava considerando se retirar do acordo, visto que este oferece poucos benefícios aos americanos. Ele também acusou o México de ser a porta de entrada para produtos e componentes chineses no mercado americano.
As negociações entre os dois lados abordaram questões como a necessidade de reduzir a dependência da América do Norte em relação a componentes de outras regiões, regras de origem e a segurança econômica do bloco.
P.Sartori--GdR