Giornale Roma - Papa abençoa torre mais alta da Sagrada Família, em Barcelona, após missa majestosa

Papa abençoa torre mais alta da Sagrada Família, em Barcelona, após missa majestosa
Papa abençoa torre mais alta da Sagrada Família, em Barcelona, após missa majestosa / foto: Stefano Rellandini - AFP

Papa abençoa torre mais alta da Sagrada Família, em Barcelona, após missa majestosa

O papa Leão XIV abençoou, na noite desta quarta-feira (10), a torre de Jesus Cristo, a mais alta da famosa basílica da Sagrada Família, em Barcelona, em uma cerimônia breve na esplanada do templo, que terminou com um espetáculo de luz e som, depois de uma missa majestosa.

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O sumo pontífice celebrou no monumento, um dos mais conhecidos e turísticos da capital catalã, a cerimônia que se estendeu por uma hora e meia, acompanhada por um coro de 500 adultos e 100 crianças, que entoaram cantos gregorianos e do repertório litúrgico, mas também outros catalães tradicionais.

Durante a homilia pronunciada na basílica, onde o sol filtrado pelos vitrais brilhava entre as colunas, Leão XVI afirmou que quem acredita em Jesus não pode "promover a guerra", em uma crítica velada ao governo do presidente americano, Donald Trump.

Ao final da missa, celebrada em espanhol, catalão e latim, o bispo de Roma abençoou a torre de Jesus Cristo, concluída em fevereiro e que alcança os 172,5 metros de altura, o que transformou a Sagrada Família, ainda inacabada, na igreja mais alta do mundo.

- "Um farol aberto" -

"Esta cruz brilha de dia, refletindo a luz do sol, e brilha de noite, iluminando a cidade como um farol aberto ao Mediterrâneo", disse o papa em sua homilia, em alusão à cruz da torre, a qual abençoou aspergindo água benta em meio aos aplausos da multidão.

Um espetáculo de luz e som encerrou a cerimônia na esplanada.

A visita de Leão XIV, a terceira de um papa à obra-prima modernista de Antoni Gaudí, depois de João Paulo II e Bento XVI, ocorre no dia em que se completa um século da morte do arquiteto venerado, um católico fervoroso, cujo processo de canonização avança no Vaticano.

Cerca de 9.000 pessoas participaram da missa dentro do edifício e em sua esplanada, mas fora do perímetro de segurança que o cercava, dezenas de milhares de barceloneses e turistas acompanharam a cerimônia em um telão instalado em frente à Sagrada Família.

"Foi algo memorável, para lembrar", disse à AFP Isabel Magallón, administradora de 60 anos. "Queria estar no ato. Duvidei pela massificação e por tudo, mas estou contente", acrescentou.

"Por toda a nossa vida, a Sagrada Família esteve em construção e o fato de agora (o papa) vir é como pôr um ponto final", disse à AFP María José Sedano, uma advogada de 30 anos, que chegou com várias horas de antecedência com a esperança de ver o líder espiritual do 1,4 bilhão de católicos do mundo.

A construção da Sagrada Família sofreu vários altos e baixos desde que Gaudí assumiu o projeto, em 1883.

A igreja devia ser concluída em 2026, coincidindo com o centenário da morte de Gaudí, mas a pandemia forçou abandonar este plano.

Consagrada e elevada ao nível de basílica por Bento XVI em 2010, o templo poderia estar concluído dentro de dez anos.

Os planos dependem de que não ocorram novos contratempos que afetem o fluxo de visitantes, que pagam entrada, e que sejam solucionadas as diferenças para construir os polêmicos acessos à fachada da Glória, a entrada principal ainda a edificar.

O projeto defendido pelos construtores implicaria derrubar vários prédios residenciais, mas os moradores se opõem.

- Jogar "em equipe" -

Leão XIV, de 70 anos, americano com nacionalidade peruana, visitou pela manhã a prisão de Brians, a 40 km de Barcelona, para depois seguir de helicóptero para a espetacular abadia de Montserrat, na montanha de mesmo nome.

À tarde, na igreja de Santo Agostinho, no bairro de Raval, em Barcelona, onde se reuniu com representantes de associações que atendem pessoas desfavorecidas, o papa fez um aceno aos torcedores de futebol, na véspera do início da Copa do Mundo.

Leão XIV disse que, assim como no futebol, na vida deve-se jogar "em equipe".

Para encerrar sua viagem à Espanha, o papa visitará as Ilhas Canárias na quinta e na sexta-feira.

Neste arquipélago no Atlântico, situado em frente à África, via de entrada na Europa para muitos migrantes irregulares, o pontífice insistirá em outra mensagem-chave de sua viagem: a acolhida aos imigrantes.

G.Fontana--GdR