Onda de calor deixa Itália em alerta vermelho e bate recorde em Portugal
A Itália declarou alerta vermelho, nesta quinta-feira (28), para Roma e outras quatro cidades, e Portugal anunciou um recorde de temperatura para um dia de maio, em meio à onda de calor que atinge vários países europeus.
Desde o início desta semana, a Europa atravessa uma onda de calor inédita e precoce para um mês de maio, na primavera, que afetou particularmente França, Reino Unido e Itália.
O fenômeno, chamado pelos especialistas de "cúpula de calor", traz ar quente do norte da África e permanece preso sob um sistema de alta pressão sobre a Europa ocidental, o que provocou temperaturas típicas do verão boreal, que começa em 21 de junho.
O Reino Unido e a França também registraram seu dia mais quente para um mês de maio, e várias pessoas morreram na França e no Reino Unido, a maioria por afogamento. As autoridades relacionaram esses casos ao calor.
Em Mora, uma localidade do centro de Portugal, os termômetros chegaram a 40,3°C na quarta-feira, informou nesta quinta-feira a agência meteorológica nacional, superando o pico registrado até agora, de 40°C em maio de 2001.
Segundo a agência meteorológica portuguesa, é "muito provável" que o país continue com altas temperaturas até o início de junho.
A Itália, por enquanto, escapou de temperaturas tão altas, mas nesta quinta-feira as autoridades pediram à população de Roma e de outras localidades que evitasse a exposição ao sol.
"Estamos suando muito", disse à AFPTV a turista espanhola Nana Martínez, que tentava se refrescar do lado de fora do Coliseu de Roma nesta quinta-feira, quando os termômetros marcavam 32°C.
Tanto ela quanto María Ángeles Mellinas Tello, outra turista, afirmaram "beber muita água" e "ficar sempre na sombra" quando podem.
"E os chapéus. O chapéu é indispensável!", acrescentaram.
Nesta quinta-feira, o Ministério da Saúde declarou alerta vermelho, ou nível 3, o mais alto, em Roma, Florença, Bolonha, Turim e Brescia.
O nível 3 indica "uma situação de emergência [onda de calor] suscetível de provocar efeitos prejudiciais à saúde de pessoas saudáveis e ativas, e não apenas nos grupos de risco como idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas", informou o ministério.
Cientistas apontam que as mudanças climáticas induzidas pelo ser humano intensificam fenômenos meteorológicos extremos como ondas de calor, secas e inundações.
- Calor em Roland Garros -
O pior do calor parece ter passado no Reino Unido, mas grande parte da França continuava sob calor intenso nesta quinta-feira.
Uma escola no sudoeste teve que fechar até sexta-feira à tarde porque os corredores chegaram a 53°C na terça-feira, o que fez com que alguns alunos passassem mal, disse um funcionário local.
"Um deles chegou a desmaiar e vomitar", disse Florian Deygas, funcionário da região de Landes.
Paris esperava temperaturas de até 34°C e continuava em alerta laranja por onda de calor, informou a agência nacional Météo-France.
Os jogadores do torneio de tênis de Roland Garros, nos arredores de Paris, também sofreram com o calor abrasador.
O italiano Jannik Sinner, grande favorito na competição, desabou por causa do calor e perdeu na segunda rodada para o argentino Juan Manuel Cerúndolo.
A equipe do local molha as quadras de saibro com água depois de cada set e, todos os dias, após os jogos, "inunda[m] as quadras, as encharca[m] para repor com água as diferentes camadas que compõem o saibro", explicou o chefe de manutenção, Philippe Vaillant.
Na Espanha, a agência nacional de meteorologia, Aemet, emitiu alertas de calor para sexta-feira em áreas do nordeste e do norte, onde eram esperadas temperaturas de até 37°C.
No entanto, espera-se que as temperaturas caiam na próxima semana, segundo a Aemet.
Em Roma, o turista americano Josh Ren contou que adaptou sua rotina diante das altas temperaturas.
"Levantar cedo, começar a fazer suas coisas antes, fazer muitas pausas (...) ir ao museu, ficar um pouco mais dentro [dos lugares] nas horas de mais calor...", enumerou.
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F.Villa--GdR