Giornale Roma - Candidato de extrema direita sai como favorito nas presidenciais em Portugal

Candidato de extrema direita sai como favorito nas presidenciais em Portugal
Candidato de extrema direita sai como favorito nas presidenciais em Portugal / foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA - AFP/Arquivos

Candidato de extrema direita sai como favorito nas presidenciais em Portugal

O candidato de extrema direita André Ventura aparece como favorito para o primeiro turno das eleições presidenciais deste domingo (18) em Portugal, embora tenha poucas chances de vencer no segundo turno.

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As pesquisas colocam o presidente do partido Chega na liderança do primeiro turno, mas divergem sobre o candidato que poderá enfrentá-lo em 8 de fevereiro, que provavelmente será o sucessor do atual presidente, o conservador Marcelo Rebelo de Sousa.

Alguns levantamentos preveem uma disputa entre Ventura e o socialista António José Seguro, enquanto outros apontam o nome de Luís Marques Mendes, apoiado pelo governo de direita do primeiro-ministro Luís Montenegro.

Entre o número recorde de 11 candidatos, há outros nomes com chances, como o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, que comandou a campanha de vacinação contra a covid-19, e o eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo.

Se os prognósticos se confirmarem, ficará consolidada a ascensão eleitoral fulminante de Ventura desde que fundou o Chega, em 2019.

- "Na onda" -

A legenda obteve 22,8% dos votos e 60 deputados nas eleições legislativas de maio passado, superando o Partido Socialista como principal força de oposição.

Em Portugal, o poder do chefe de Estado é sobretudo simbólico, mas ele pode atuar como árbitro em caso de crise e tem o direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas.

Embora seja o governo, e não o presidente, quem dirige o país, Ventura se lançou candidato para conter a ameaça política representada pelo almirante da reserva Gouveia e Melo. Este último foi por muito tempo o favorito nas pesquisas, com um discurso contrário aos partidos tradicionais.

"André Ventura se apresentou como candidato para conservar seu eleitorado. Ele pode ter a surpresa de ampliá-lo", declarou à AFP o cientista político António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.

Mesmo que seja derrotado no segundo turno, o resultado que obtiver em três semanas pode "reforçar, aos olhos da sociedade portuguesa, a ideia de um crescimento eleitoral do Chega", acrescentou.

Costa Pinto compara essas eleições às presidenciais francesas de 2002, quando Jean-Marie Le Pen, então presidente da Frente Nacional de extrema direita, chegou ao segundo turno.

"Mas não é tão chocante como antes, porque estamos na onda" que impulsiona a extrema direita em todo o mundo, afirmou o especialista.

- Uma eleição "aberta" -

Em Portugal, um fortalecimento da extrema direita complicaria ainda mais a situação do governo minoritário de Montenegro, que depende do Chega para aprovar parte de seu programa.

"A eleição está aberta", assegurou o primeiro-ministro, que se envolveu na campanha de Luís Marques Mendes, empatado nas pesquisas com o socialista António José Seguro.

O almirante reformado Gouveia e Melo chegou a ser favorito, mas teve desempenho fraco nos debates televisivos e não conta com o apoio de um partido.

Já o liberal João Cotrim Figueiredo foi afetado pela polêmica gerada por acusações de assédio feitas por uma ex-colaboradora.

F.De Luca--GdR