Giornale Roma - Irã anuncia interrupção dos ataques contra Israel após apelo de Trump

Irã anuncia interrupção dos ataques contra Israel após apelo de Trump
Irã anuncia interrupção dos ataques contra Israel após apelo de Trump / foto: JACK GUEZ - AFP

Irã anuncia interrupção dos ataques contra Israel após apelo de Trump

O Irã anunciou, nesta segunda-feira (8), a "interrupção" de sua operação militar contra Israel, depois que os dois países executaram ataques diretos pela primeira vez desde o início de um frágil cessar-fogo em abril, mas advertiu que poderia dar uma resposta ainda mais "contundente".

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia solicitado ao Irã, mas também ao seu aliado Israel, que interrompessem "imediatamente" os ataques, os primeiros desde 8 de abril, quando entrou em vigor a trégua na guerra no Oriente Médio.

Após semanas de negociações para tentar acabar com o conflito, a tensão aumentou na região depois de um bombardeio israelense contra os subúrbios de Beirute no domingo, ao qual o Irã respondeu com uma salva de mísseis.

O Exército israelense atacou várias cidades iranianas, incluindo Teerã, e apontou contra os sistemas de defesa e um complexo petroquímico.

"Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente", escreveu Trump em sua rede Truth Social.

Em uma mensagem posterior, Trump afirmou que as partes querem um "CESSAR-FOGO imediato" e que as negociações "estão avançando, sujeitas à ignorância ou estupidez que atrapalham o caminho".

O comando das Forças Armadas iranianas afirmou ter "infligido uma resposta contundente" a Israel e anunciou "o fim da operação".

Teerã advertiu, no entanto, que "se os atos de agressão e hostilidade continuarem, inclusive no sul do Líbano, serão adotadas medidas muito mais severas e contundentes do que as anteriores".

Pouco depois, o Exército israelense interceptou três projéteis lançados a partir do Líbano, segundo um jornalista da AFP que estava perto da fronteira entre os dois países.

O Exército confirmou que os projéteis tinham como alvo suas forças que operavam no sul do Líbano.

- Golpe ao processo diplomático -

Os ataques aconteceram em um momento delicado para os esforços diplomáticos que pretendem obter o fim do conflito, dos quais o Paquistão atua como mediador.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou após o anúncio da suspensão dos ataques contra Israel que seu país não abandonou "nem o campo de batalha nem a mesa de negociações".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que as consultas diplomáticas prosseguiam, mas que o processo poderia ser "afetado" pela escalada do conflito.

Quando ele concedia a entrevista na sede do ministério, no centro de Teerã, uma forte explosão fez tremer o edifício, segundo um jornalista da AFP que acompanhava o encontro.

Jerusalém também acordou nesta segunda-feira com o barulho de explosões e o alerta de ataques aéreos. Em Israel, as autoridades decretaram o fechamento das escolas em todo o território.

O agravamento da crise rapidamente foi refletido nos mercados, muito afetados pela guerra e por suas consequências no Estreito de Ormuz, crucial para o comércio de hidrocarbonetos e bloqueado pelo Irã.

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, disparou quase 5% e se aproximou da cotação de 100 dólares, mas voltou a registrar moderação após o anúncio do Irã.

Em um novo motivo de preocupação para os mercados, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, decretaram a proibição da navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio mundial.

- "Só tentamos sobreviver" -

Ao longo das negociações indiretas, Teerã insistiu que qualquer acordo deve incluir o fim do conflito paralelo no Líbano entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.

Dois acordos de trégua sob mediação dos Estados Unidos não conseguiram acabar com os combates, especialmente intensos no sul do Líbano, onde Israel prossegue com uma incursão militar.

O Irã havia estabelecido um bombardeio contra Beirute, a capital libanesa, como uma linha vermelha do conflito.

Mas no domingo, o gabinete de Netanyahu anunciou um ataque contra "um centro de comando de combatentes no distrito de Dahiyeh, em Beirute" que, segundo as autoridades libanesas, deixou dois mortos e 20 feridos.

Além da frente libanesa, as negociações entre Estados Unidos e Irã esbarram em outras divergências sobre o controle do Estreito de Ormuz, o alívio das sanções contra Teerã e seu polêmico programa nuclear.

A incerteza, somada à estagnação econômica, pesa sobre os iranianos. "Renunciamos a tudo: primeiro ao lazer, depois às compras, em seguida as refeições foram reduzidas por causa da inflação", disse à AFP Elaheh, uma preparadora física de 32 anos na cidade de Ahvaz.

"Vida cotidiana? É uma piada. Tudo é horrível, nós só tentamos sobreviver", completou.

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V.Colombo--GdR